A Colheita

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A Colheita

Mensagem por Teresë Hurtz Pringsheim em Qui Fev 04, 2016 4:04 pm

A Colheita
O sol brilhava esplendorosamente por toda a extensão de Panem. Era possível dizer que presenciavam um dos melhores dias, porém o dia não era nem de longe bom para alguns. A melancolia e ansiedade tomava conta dos distritos, era feriado em todo país e muitas famílias iriam comemora-lo, mas apenas após a Colheita. Vinte e quatro jovens seriam retirados de suas famílias a força, desmembrados do seio familiar para enfrentar a brusca batalha por sobrevivência, os Jogos começariam em breve. Durante a madrugada, os Pacificadores montaram na Praça Central de cada distrito um grande palco, como ocorria em todos os anos, jornalistas e câmeras da Capital ocupavam os espaços nos pontos estratégicos para filmarem a primeira etapa dos Jogos.

Metodicamente a população seguia para o espaço organizado, nos Distritos Carreiristas os jovens sorridentes brincavam entre si e o mau agouro não existia, nos demais Distritos crianças mais novas iam agarradas aos braços de seus progenitores ou irmãos. Já devidamente posicionados no palco o representante da Capital, juntamente com o prefeito e o(a) mentor(a), o capitalista se destacava por suas roupas peculiares e demasiada animação. O prefeito mantinha-se neutro, servindo apenas de enfeite para o evento, o(a) mentor(a) por outro lado possuía um ar mais sério e logo sua face fora estampada no telão.

Jovens de 12 a 18 anos encaminhavam-se para a checagem e coleta de sangue, formando filas indianas que eram controladas pelos Pacificadores, após ter uma gota de seu sangue coletado as crianças dividiam-se de acordo com a idade e sexo. Os mais novos mais ao fundo e aqueles que possuíam dezoito anos em primeiríssimo lugar, despedindo-se da Colheita.

As nove horas em ponto, o hino de Panem começou, o telão iluminou-se com o brasão da nação e o silencio perdurou. Uma série de imagens teve início, mostrando os Doze Distritos e a Capital e seu povo peculiar, Jogos passados foram relembrados — a exceção dos Jogos de Katniss e o Terceiro Massacre Quaternário —, seus vencedores apareciam sorridentes e banhados em riquezas. Logo que o hino terminou, o capitalista sorriu animado tomando a frente.

Bem-vindos ao centésimo trigésimo sexto Jogos Vorazes! — Sua voz era estridente e seu sorriso parecia ter sido costurado em sua face. — E que a sorte esteja, sempre, ao seu favor! Agora, veremos o vídeo vindo diretamente da Capital para vocês, meus queridos.

O costumeiro documentário tem início, contando à todos a história de Panem. “Do Tratado da Traição. Como punição pela revolta, cada um dos 12 Distritos devem providenciar uma garota e um garoto com idade entre 12 e 18 anos para a Colheita. Esses Tributos ficarão sob custódia da Capital e serão transferidos para a Arena, onde lutarão até a morte, até que reste somente um vitorioso. De agora em diante, e para sempre, este campeonato será conhecido como: Jogos Vorazes.” O capitalista aplaude animado ao final do documentário, os jovens o acompanham desanimadamente e o(a) mentor(a) sorri discretamente. Não haveria surpresas nesta Edição, tudo iria ocorrer em seus perfeitos trilhos, sem recados dos Idealizadores. Aquilo não era necessário, o recado já havia sido entregue.  A mulher segura o microfone com afinco, como se sua vida estivesse em jogo, seus olhos bicolores fitam a multidão de jovens que estão cada vez mais ansiosos.

Agora vamos a parte mais importante, quais serão os nossos queridos tributos que poderão trazer a vitória para um dos distritos? Estou tão ansiosa. — Exclama estridente, praticamente dando pulinhos de alegria até os globos.

Os jovens estão agitados, no momento em que a representante coloca a mão dentro do globo feminino, pode-se jurar que todas as jovens em Panem seguraram a respiração. O capitalista sorri, pesca um papelzinho e volta para o centro do palco, em uma atitude infantil fecha os olhos e rompe o lacre, para em seguida anunciar a desventurada jovem.

- O Tributo Feminino do Distrito X é...

Regras:

- A postagem será liberada até dia 19/02 (quarta-feira) até às 23:59. Postagens realizadas após esta data perderão 50% dos pontos de patrocínio.
- Narre os acontecimentos citados acima, nada de altera-los ou ignora-los. Criatividade é importante.
- Deixamos livre a criação do representante da Capital, seja homem ou mulher. Lembre-se que nem capitalista é responsável ou aprecia os jovens, nos surpreendam.
-  MENTORES devem, OBRIGATORIAMENTE, aparecer em suas narrativas. Criamos os cannon para serem utilizados, por isso, por favor, sigam a história e personalidade destes - caso a narração fuja muito do personagem, haverá penalidades.
- Cada Distrito tem um horário de Colheita diferente, por que? Simples, melhor organização. Distrito 1: 10:00 a.m Distrito 2: 10:15 a.m Distrito 3: 10:30 a.m  Distrito 4: 10:45 a.m Distrito 5: 11:00 a.m  Distrito 6: 11:15 a.m Distrito 7: 11:30 a.m Distrito 8: 11:45 a.m Distrito 9: 12:00 p.m Distrito 10: 12:15 p.m Distrito 11: 12:30 p.m e Distrito 12: 12:45 p.m
- É PROIBIDO dizer que foi escolhido para os Jogos, sua narração deve terminar no sorteio do nome feminino.
- A parte de ouvir o nome sorteado vai ser na próxima etapa, a do trem; podendo decidir se será um Tributo sorteado ou voluntariado.
- Todos aqueles que postarem na Colheita irão receber uma recompensa, aqueles que forem realmente aos Jogos receberão uma recompensa melhor;
- Qualquer dúvida MP.

Créditos à JVBR
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Teresë Hurtz Pringsheim
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Re: A Colheita

Mensagem por Zenon Yakov Djorbnak em Sab Fev 06, 2016 8:48 pm



heyhelp me

Uma manhã normal como qualquer outra. O sol estava surgindo em meio a nuvens brancas em formatos diferenciados, semelhantes a algodões gigantes que navegavam em meio uma vasta coloração azul. O som alarmante informando a chegada dos pacificadores causava aquela velha ansiedade e nervosismo dentro do peito do garoto. Seu nome é Zenon e ele não faz ideia do que estava o esperando, por mais que já tivesse passado por essa situação mais vezes, mas ainda sim não era acostumado com o medo sobrecarregado em suas costas. Levantou meio sonolento, seu corpo estava cansado por passar grande parte do tempo pensando nas arenas que já havia assistido. Seu corpo estava suando quando abriu os olhos, ficou sentando por longos minutos na beirada da cama, mexendo seus pés para frente e para trás, estressado por saber que ainda tinha chances de ser pego. Era o último dia que participaria da colheita, era a chance de descobrir se iria ou não para o matadouro de humanos. Por ser tributo de um distrito pecuarista, o garoto era acostumado a ver animais sendo mortos, mas pessoas era um negócio muito diferente. Caminhando meio desgovernado pela casa de madeira, Zenon seguiu seu trajeto coçando os olhos. Sua mãe estava na mesa com os olhos cheios de lágrimas, nervosa por saber que o menor ainda tinha chances de participar dos jogos. O moreno se aproximou da mais velha e selou seus lábios em sua bochecha, deixando aquela região úmida. – Mamãe, você sabe que ainda sim eu posso voltar. É minha última vez na colheita. – Pronunciou com um sorriso confiante, mas aquilo era apenas um disfarce para o medo que sentia e não queria demonstrar para a mulher que o criou.

Zenon se sentou na cadeira de madeira velha, ficando com as mãos sobre a mesa. Um sorriso de canto brotou de seu rosto quando viu sua mãe trazer duas fatias de pão com geleia de uva. – Mãe! Doce de uva, que maravilha. – Soltou empolgado enquanto pegava o sanduíche e lambuzava seus lábios com o açúcar e as migalhas que caíam sobre seu colo à medida que ia se deliciando com o café da manhã. Um ou outro gole de água acompanhava o lanche simples daquele início de dia. O gosto descia sua garganta como se fosse a melhor coisa que tivesse comido em sua vida, estava com o estomago vazio e precisava saciar aquela batalha interna de ficar com fome todo anoitecer, pois às vezes, a miséria se instalava em sua casa. Assim que o café da manhã foi finalizado, o moreno se levantou agradecendo sua mãe pelo alimento, depositando mais um beijo em sua bochecha, melecado com o doce que havia comido. Um riso baixo saiu de sua boca, mas apenas isso. Zenon foi ao banheiro e tomou um banho gelado para que além de seu corpo, sua alma fosse limpa de todos os males que o cercavam. Assustado com o que podia acontecer dali em diante deixou algumas lágrimas escorrem durante a ducha. O sorriso que antes havia em seu rosto foi quebrado pelo medo. Agoniado com o futuro que o esperava, o garoto do distrito dez foi ao quarto colocar alguma roupa casual e básica, visto que sua renda nunca foi das melhores para comprar algo mais formal e interessante. Zenon é de origem pobre, então suas condições nunca foram tão favoráveis.

Saiu de sua casa dando um grito audível para que sua mãe o escutasse. Ela correu para fora da casa e abraçou o menino, desejando sorte para o que estava por vir. O mais novo deu um beijo em sua testa e avançou para a colheita, deixando que seu destino fosse cruzado com o que o futuro escolhesse. Zenon caminhou apressado durante longos minutos até chegar às filas que havia jovens de sua idade. A agulha perfurando a ponta de seu dedo assim que chegou sua vez, fez deixar o sangue escorrer e marcar sua presença naquele ambiente. Ficou em pé na região onde todos os garotos se encontravam. Seu corpo estava trêmulo e sua cabeça preocupada com o que poderia acontecer dali em diante. Um suspiro medroso soou de sua boca ao olhar de longe a tela se acender e demonstrar imagens de todos os distritos, da capital, dos jogos passados e de toda a chacina que já aconteceu nas arenas. Fechou os olhos e os punhos no mesmo instante e esperou toda aquela monstruosidade passar. Ficou em silêncio e atento a todas as informações que eram passadas pela representante da capital. A mulher era toda colorida e extravagante, nada que Zenon já não tivesse visto nas colheitas anteriores. Chegava a ser engraçado todas aquelas cores misturadas.

De longe Zenon ficava observando alguém que estava distante. Ele foi tachado como louco e nomeado como alguém que tinha sérios problemas de humor, coisa que provavelmente seria constante com qualquer um que sofresse um forte choque numa arena até a morte. Zenon o conhecia pelas histórias que ouviu, visto que foi um dos vencedores de uma edição. Ele seria seu mentor e provavelmente seria com quem o moreno deveria contar, por mais que tivesse medo do que o outro poderia sugerir. Um suspirou meio constrangido e medroso soou dos lábios do menino que ajeitou sua postura na região onde estava, por mais que estivesse em pé, deixou a coluna reta, esperando que pudesse prestar mais atenção naqueles discursos enjoativos e cheios de enrolação. O tom de voz animado da representante da capital começava a soar mais incomum, ela finalmente revelaria quem seriam os tributos daquela edição. O garoto fechou suas mãos, ficando de punhos firmes. Os olhos se fecharam e a cabeça ficou inclinada para baixo e um pedido de ajuda baixinho saiu de sua boca. – O tributo feminino do distrito dez é... – O suspense moeu todos os pensamentos de Zenon, que abriu os olhos no mesmo instante que percebeu que estava pronto para descobrir quem seria a garota que iria a arena. A mulher colorida abriu o papel vagarosamente, deixando todos curiosos com o resultado e o moreno era o que mais se mordia para descobrir, pois logo em seguida seria um rapaz.

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Re: A Colheita

Mensagem por Brunie Kërr Moriarty em Ter Fev 09, 2016 8:27 pm

HAPPY HUNGER GAMES !



Acordei antes de todos de minha casa, os rapazes chegaram tarde, então não quis acordá-los, o mais novo depois de mim era Neptör, ele já tinha 19 anos, não teria que encarar mais nenhuma colheita, nem mesmo um dos outros dois, éramos afortunados em pensar que não precisaríamos mais enfrentar aquilo. Eu vesti-me com minha melhor roupa, trancei os cabelos e fui para a cozinha, geralmente era eu que fazia nosso café, mas dessa vez vi um homem por lá, seu sorriso torto estava desaparecido dos lábios, pelo menos até me ver. — Está tão linda, Brubs, até parece ela. — Ele se lembrava de minha mãe, ela foi escolhida no seu último ano e tinha dado a luz poucos meses antes daquilo. Era o vestido dela que eu trajava, sabia disso, sabia quanto meu pai ficava emotivo com qualquer coisa em relação a ela, Birgity foi mãe muito jovem, logo aos 18 tinha 5 filhos, quatro meninos e eu, meus pais se amavam mas os jogos interromperam isso. — Obrigado papai, não precisava fazer o café, eu deixava tudo pronto pra você e os meninos. — Sorri de canto.

Meu pai caminhou devagar até a mesa, deixou sobre a mesma alguns pães e frutas, além do que parecia ser suco, aquilo quase nunca aparecia em nossa mesa, apesar do distrito sete não ser pobre, nós não vivíamos no luxo como algumas pessoas do distrito, as cosias melhoraram depois que Aislinn Darry e Katherine Bellegard ganharam os jogos, mas as coisas pioram se você não consagrar vitorioso atrás de vitorioso, depois de Bellegard uma garota do onze já havia ganhado e também uma do distrito dois, Elleonora se não me engano, girls power. Meu pai apontou para onde eu deveria sentar e eu sorri ocupando o lugar. — Não haverá tanto tempo de novo papai, Katherine ganhou a duas edições antes da última, não podemos esperar tanto tempo como esperamos de Aislinn para ela. — Comentei com meio sorriso e ele balançou a cabeça de forma negativa, como se pedisse para que eu esquecesse aquilo, na cabeça de meu pai eu nunca seria escolhida e seria perfeito. — Prometa-me que não vai se voluntariar, Brubs. Não precisa ser uma assassina como Bellegard e Darry foram, as duas devem estar na colheita, espero que a Darry esteja sóbria dessa vez. — Nós rimos juntos com aquilo, Aislinn nunca foi a melhor mentora do mundo, ela perdeu seis tributos antes que conseguisse Katherine para assumir seu lugar, mas ainda a víamos nas colheitas, ela não precisava, mas estava sempre lá. — Prometo ... — Murmurei baixo tomando um pouco de suco no meu copo.

Os rapazes ainda não tinham acordado quando saí, eles não trabalhavam em dia de colheita. Beijei o rosto de todos os quatro e depois meu pai me deu um beijo na testa. Eu e ele caminhamos entre as pessoas que iam para a praça principal, todos com o mesmo semblante que nós, o de luto e pouca vontade. Andrew e Dimka tinham sido enterrado a não muitas semanas, me perguntava como estava a garota campeã, Elleonorah, estaria mentindo se dissesse que não queria conhecê-la, não só ela, assim como a garota do distrito 11, Blanche não é? Não sou muito boa com nomes. Depois de entrar na fila de reconhecimento fui me despedir uma última vez de meu pai, foi quando vi quatro semblantes correndo em minha direção, os meus irmãos vieram, correram entre as pessoas para me abraçar, por alguns instantes foi uma cena bonita, eu quase chorei, mas não deu tempo, os pacificadores os separaram de mim, os quatro já tinham mais de 18 anos, deveriam se juntar aos adultos e eu aos tributos que poderiam ir pros jogos.

Dei uma última olhada para trás e os cinco homens de minha vida acenaram. Fui posicionada entre meninas de minha idade. Arrumei uma mecha de cabelo atrás do orelha, olhei em volta tantas meninas, lugar onde Aislinn, Katherine, Dimka, Gabriela da 102ª edição, assim como Andrew, Edward da 106ª e Avelio da 90º. Me perguntava mentalmente se eu fosse escolhida e ganhasse, levaria vinte anos como Edward tinha levado para consagrar Aislinn, eram perguntas meio sem resposta, eu nem mesmo sabia se ia se escolhida, dali até a vitória era um caminho muito grande, eram muitas pessoas a matar, eu conseguiria? Pisquei algumas vezes vendo aquele vídeo patético que repetíamos todos os anos, aquela apreensão que senti no último ano, onde acabou levando Dimka e Andrew de nós, eu já tinha os visto pelo distrito algumas vezes, será que se lembrariam de mim assim? De me virem algumas vezes perambulando por aí com um machado? Que triste! Não queria pensar em meus irmãos em um palco com minha foto atrás, era mórbido.

A voz da mulher me tira de meus devaneios, meu estômago está quase revirando, aquele medo estranho de ser escolhida, penso sobre entrar ou não em desespero, não lembro-me muito bem de Dimka, foi calma, eu estava preocupada em agradecer por não ser eu naquele momento. Por mais que eu quisesse dar uma vida melhor ao meu pai e aos rapazes .... Tudo que eu queria mesmo é ficar viva com eles. Aquela era minha penúltima colheita, depois dali era mais uma e eu estava fora. A mulher passou as mãos sobre a urna com os nomes, aquilo só remexia mais ainda o meu estômago. Ela esticou a mão e puxou um papel, esse que eu esperava não ser o do meu nome. Engoli seco uma última vez e fechei os olhos, se tivesse que ser, seria .
e que a sorte esteja sempre a nosso favor


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Re: A Colheita

Mensagem por Onyx N. Black em Sab Fev 20, 2016 4:29 pm

A COLHEITA

Abro os olhos no instante em que a claridade do meu quarto aumenta com os primeiros raios de sol adentrando pelas frestas da janela. Surpreso pela aparente noite de sono tranquilo e isento de sonhos, perco alguns instantes organizando meus pensamentos até me dar conta de que não estou enganado. Hoje é de fato o grande dia, aquele que esperei minha vida toda. Hoje é o dia da Colheita e meu primeiro passo rumo ao cumprimento de minha maior meta se realiza agora.

O silêncio massivo paira no ar, imagino que meus pais e irmã ainda não tenham acordado. Entro embaixo do chuveiro e deixo a água gelada banhar minha pele, lavando meu corpo e alma enquanto me perco entre uma centelha de pensamentos. Do meu guarda-roupas retiro uma camisa azul-celeste de algodão e um blazer cor creme que combina com a calça de mesma cor entrando em um esplendoroso contraste com minha pele: minhas vestes mais suntuosas para esta ocasião demasiadamente especial; afinal de contas, eu definitivamente preciso mostrar-me atraente quando gritar em alto e bom som que me voluntariarei pelo meu distrito nessa edição dos Jogos Vorazes.

Desço as escadas lentamente e para minha surpresa encontro meus pais e minha irmã Opala já sentados à mesa, na qual está posto um verdadeiro banquete de café-da-manhã. — Senhoras, preparem-se, pois ai vem o futuro campeão da 136° Edição dos Jogos Vorazes! — meu pai entona com a minha aproximação e o sorriso largo em rosto se reflete em meu próprio. Minha mãe e irmã, entretanto, partilham de um semblante mais cálido que mistura felicitação com certa apreensividade. — Essa é a sua última Colheita, meu filho. Essa é a sua vez de ir para a arena. — meu pai diz enquanto sento-me à mesa e o assunto não é outro se não a edição desta ano. Algum tempo se passa entre brincadeiras, exaltações e discussões sobre expectativas até que, pouco depois das nove, todos saímos de casa rumo à praça central.

Após sair de casa, caminho de braços dados com minha irmã mais velha pelas ruas bastante movimentadas do Distrito 1 até chegarmos à praça central. O local está belo como nos anos anteriores com telões e brasões da Capital espalhados por todos os lugares. O movimento das pessoas ali presentes é frenético: jornalistas apontando suas câmeras para todos os cantos, carreiristas de todas as idades fazendo barulho e andando de um lado para o outro, uma chuva de flashes disparados a torto e a direito, nada que difira muito das demais Colheitas que presenciei.

Antes de me esgueirar pelo mar de pessoas, despeço-me de minha mãe com um beijo no rosto e de meu pai com um forte abraço. Opala aperta meus ombros com certa satisfação estampada em suas feições. Minha irmã se aproxima para um abraço e então sussurra ao meu ouvido — Papai nunca permitiu que eu me voluntariasse pelo fato de eu ser mulher, uma verdadeira bobagem. Mas agora que meus tempos de Colheita se foram, é com você que o nome da família Black vai brilhar! — e sinto minha pele se ouriçar com o estranho calafrio que aquela afirmação me trás, um ligeiro aperto no meu peito me leva a forçar uma expressão facial de contentamento apressadamente. Sorrio em resposta e me afasto de minha família acenando enquanto me encaminho à fila para coleta de sangue.

Na fila, observo em silêncio aos outros rapazes conversando sobre o episódio que ocorreu durante o tour da vitória da garota do 2 que ganhou ano passado. A lembrança da cruel retaliação que a pobre avó do tal garoto Alexei sofreu, ainda é algo que causa desconforto em todos pelo distrito, ainda mais aos mais acomodados aspirantes a moradores da Capital que nunca sentiram na pele de fato que o mundo não é o mar de rosas tal qual pensam. Perdido em uma nova leva pensamentos, mal me dou conta quando o processo de verificação termina e sou então direcionado por alguns pacificadores à área destinada aos rapazes. Tendo a idade máxima, permaneço de pé na primeira fila, o mais próximo do palco possível. Os grandes nomes do Distrito 1 já estão posicionados em seus devidos lugares sobre o palco, mais ainda não há sinal do representante escandaloso. Olho em volta apenas para reconhecer alguns dos mesmos rostos familiares do centro de treinamento. De praxe, recebo alguns olhares tortos por parte daqueles que comentem o erro de se acharem no direito de me subjugar apenas pela minha aparência. Tolos. Mal sabem que eu poderia matar qualquer um deles mais rápido do que eles consigam erguer seus narizes narizes empinados para soltar algum insulto fútil.

Olho para trás, na tentativa de avistar minha família no meio da multidão, mas antes que consiga identificar qualquer rosto que seja, o barulho de uma voz nada familiar ecoando no microfone me faz olhar para frente e assumir uma postura ereta de forma rápida quase a prestar continência. — Bem-vindos ao centésimo trigésimo sexto Jogos Vorazes! — diz a figura feminina que ostenta vestes extravagantes e que permanece de pé sobre o palco com o microfone em mãos. Confusão paira em minha mente quando tento assimilar o fato de aquela pessoa, seja ela quem for, está no lugar da aberração andrógina que presidiu todas as colheitas do Distrito 1 durante os últimos anos. Antes que eu tenha tempo de tentar entender o que se passa, a mulher claramente vinda Capital exclama — Meu nome é Tarja Truss, e é um prazer inigualável estar aqui hoje como a nova representante do Distrito 1! —. Mediante esta afirmação, a única ideia que passa pela minha cabeça é a de que a extensão dos atos de rebeldia de Alexei se estenderam inclusive ao representante que o acompanhou durante os pré-jogos e que a esta altura deve estar morto ou no mínimo deve ter se tornado um avox.

Quando me dou conta, o repetitivo documentário que é mostrado todo ano já está sendo exibido, assim desvio meu olhar para os ocupantes do palco e observo com atenção à nova representante. Imagino que por baixo de toda aquela maquiagem haja uma bela mulher, mas as cores vibrantes de sua roupa exagerada chegam a machucar a vista. Desvio meu olhar para as pessoas sentadas nas cadeiras elegantes ao fundo do palco. O prefeito e primeira dama esboçando o típico semblante de melancolia que assumiram desde que sua filha morreu duas edições atrás não é uma grande novidade. Ainda assim, outra figura ilustre que agracia a todos com sua beleza ímpar em todas as Colheitas desta vez não ostenta o seu típico sorriso desarmador e ar de superioridade; a mentora Gloom Wyatt permanece aparentemente cabisbaixa, fitando o vazio sem nenhum traço de contentamento em seu rosto. Novamente, a única pessoa que me vem à mente é o maldito Alexei. Pergunto-me se Gloom sabe de algo que ninguém mais no distrito sabe. Pergunto-me se o bastardo que representou o distrito do luxo na edição passada houvera estragado as coisas para o Distrito 1 com sua estupidez. Se a história tivesse sido diferente, se Hayley o tivesse matado antes que ele pudesse cometer todos os erros que cometeu. Um novo um aperto em meu peito dificulta a entrada de ar nos meu pulmões, rapidamente afasto de minha mente todos os pensamentos agourentos que me assolam e ergo a vista apenas para me dar conta de que o vídeo exibido nos telões chega ao final.

— Agora vamos a parte mais importante... — Tarja inicia e só então me dou conta de que minha grande hora está prestes a acontecer. Tão distraído estive nos últimos minutos com questões internas e teorias sobre conspirações que nem pude abrir espaço para a ansiedade de estar a um passo de me voluntariar. Melhor assim, preciso mostrar-me calmo e confiante quando deixar as palavras transbordarem pelos meus lábios, quando gritos que eu, Onyx Black, serei o representante masculino do Distrito 1 nesta edição. Que eu serei aquele que entrarei na arena para limpar o nome de meu distrito e trazer a vitória para casa para mostrar a todos que tentaram me subjugar o quanto eles erraram feio por se meter comigo. Tarja caminha compassadamente até o globo de vidro no lado esquerdo do palco e mergulha sua mão no pequeno mar de papéis. Respiro profundamente, ansioso para descobrir que será minha parceira, qual dentre as dezenas de garotas organizadas em fileiras ao meu lado esquerdo irá para arena comigo após eu me voluntariar. — O tributo feminino do Distrito 1 é... — respiro fundo e aguardo o veredito.
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